quarta-feira, 29 de abril de 2009

Síndrome do pânico atinge a cerca 1% da população do país

O que as atrizes Cristiana Oliveira, Luciana Vendramine e Nicole Puzzi, a apresentadora Sabrina e a cantora Simony têm em comum? Todas elas viveram um grande drama: foram vítimas da Síndrome de Pânico, um problema que atinge cerca de 1% da população.

A Síndrome do Pânico é caracterizada por crises repentinas de ansiedade, acompanhadas de aceleração nos batimentos do coração, suor frio e até desmaio, entre outros sintomas. Às vezes, as crises levam ao medo de sair, e a pessoa passa a evitar transportes públicos e aglomerações.

"Tive o primeiro sintoma no avião, indo para Atenas, em maio de 96. Nunca tive medo de avião. De repente, tive falta de ar e comecei a gritar `me tira daqui'", conta Cristiana Oliveira, 35 anos, na época com 33. "Foi do nada, porque até então eu estava superbem, feliz em viajar", lembra.

A atriz conta que não sabia o que estava acontecendo. "Liguei para o meu cardiologista, porque passei a sentir uma palpitação diária. Ele me receitou uns remédios, e, ao voltar para o Brasil, a coisa degringolou: tinha medo até de dormir."

Foi nessa época que Cristiana começou a fazer a novela "Salsa e Merengue". "Na gravação, não sentia nada, mas ao voltar ao mundo `normal' sentia muito medo. Decidi então procurar minha analista, porque já não queria nem tomar remédio, com medo de ele me matar", diz.

O drama só foi superado no fim de 96, depois de várias sessões de análise. "Me recuperei só com a conversa, embora ache que o remédio teria me ajudado."

Ela lembra que recebeu inúmeras cartas depois que confessou seu drama publicamente. "Eram mulheres me pedindo conselho. Percebi então que esse era um problema que atingia muita gente."

O psiquiatra Tito Paes de Barros Neto, 42, do Hospital das Clínicas, lembra que, nos casos mais graves, o paciente precisa tomar antidepressivos - afirma que as causas ainda não foram plenamente detectadas. "Existem várias explicações, mas sabemos que há uma predisposição biológica e genética".

A atriz e escritora Nicole Puzzi, 41, que sofreu com a síndrome em 97 (leia abaixo seu depoimento). "Em 96, perdi de câncer a minha mãe, com quem morava, e um menino que criava como se fosse meu filho. Fiquei deprimida, mas achei que ia sair dessa."

"Nicole conta que decidiu então se mudar para o Rio de Janeiro. "Foi em janeiro de 97 e percebi então que tinha algo muito errado. Eu já não conseguia mais sair de casa." A atriz acabou enfrentando um ano difícil, até se recuperar totalmente.

Segundo Barros Neto, a síndrome atinge pessoas entre 20 e 35 anos - e duas vezes mais mulheres que homens. "Há essa diferença porque, nos homens, muitas vezes o diagnóstico de alcoolismo encobre na verdade uma síndrome do pânico."

Ele chama a atenção para o fato de que a síndrome não é igual para todo mundo. "Há graus de intensidade diferentes. Por isso, as pessoas que tiverem o problema não devem se assustar com os depoimentos mais fortes", diz.

Ele ressalta que fatores psicológicos, como traços de personalidade, podem influenciar no surgimento da síndrome.

Além de Cristiana e Nicole, outras mulheres famosas tiveram que enfrentar a síndrome. A atriz Luciana Vendramini teve o problema em 95, quando morava junto com o cantos Paulo Ricardo. Luciana não conseguia sair de casa, e teve a ajuda do hoje ex-namorado.

A cantora Simony, que nos anos 80 fazia o programa infantil "Balão Mágico", na Globo, diz ter se recuperado da síndrome com o auxílio da Igreja Evangélica.

A apresentadora da Bandeirantes, Sabrina, também deu a volta por cima depois de enfrentar a síndrome.

"NÃO SAÍA DE CASA" - "Não conseguia sair de casa, era uma sensação horrível, de estar morta e ao mesmo tempo andando. Perdi o gosto pela vida. Cheguei a ficar um mês sem ir para a rua.

Um vez, tentei ir a um show e comecei a ter os sintomas, mas me segurei. Era assim: quando ficava no meio de muitas pessoas, meu coração parecia que ia sair pela boca. Sentia uma incapacidade geral. Suava frio, como se todo mundo estivesse pronto para me atacar, como se o mundo fosse hostil. Ao mesmo tempo, era como se eu estivesse fora de mim, a milhões de quilômetros de distância. Acabei procurando um médico, mas ele me passava os remédios e eu não tomava. Comecei a procurar ajuda em várias religiões. A ajuda médica e o lado espiritual me salvaram". Nicole Puzzi, 41, atriz e escritora.

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